Tempo cirúrgico na odontologia: descubra o essencial sobre o tema.

Emilio Vieira
abril 6, 2025
7 min de leitura
Especialidades
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Parceiro Clinicorp Dr. Emílio Vieira: "Dentista há mais de 10 anos, cuidar de sorrisos está no meu sangue, filho e neto de dentistas, já transformei milhares de sorrisos. Mais que cuidar de sorrisos meu objetivo é cuidar de pessoas, da forma mais simples e direta possível, sempre respeitando os desejos de cada um sem inventar moda, odontologia séria e ética."

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Quando começamos a ler sobre algo rotineiro no consultório, muitas vezes imaginamos que o conteúdo será simples e desinteressante, já que os procedimentos cirúrgicos seguem uma rotina quase imutável

Apesar da evolução nos insumos, como anestésicos, lâminas, fios de sutura e instrumentais, as 4 etapas cirúrgicas permanecem as mesmas: Diérese, Exérese, Hemostasia e Síntese. Alguns artigos mais recentes até trocam a ordem, considerando Síntese e Hemostasia. No entanto, um bom procedimento cirúrgico vai além dessas etapas, e é sobre isso que falaremos neste artigo.

Neste artigo, vamos explorar a importância do planejamento cirúrgico e como ele pode impactar diretamente a qualidade do procedimento e os resultados finais. Além disso, abordaremos as diferentes fases do tempo cirúrgico, desde a preparação até o pós-operatório, destacando como a gestão adequada e a empatia com o paciente podem transformar a experiência cirúrgica.

Texto por Dr. Emílio Vieira

Boa leitura!

As dores mais comuns dos profissionais no pré, trans e pós-cirúrgico

Quantas pessoas deixam de realizar cirurgias devido aos traumas adquiridos durante a faculdade e no início da carreira, quando a falta de experiência tornava procedimentos relativamente simples em algo complexo e cheio de temor? 

Tudo se resume a enxergar. 

Recordo-me de um professor que tive na especialização, que ficou alarmado quando uma colega fez uma cirurgia por visualização indireta, ou seja, com o uso de espelho clínico. O que pode ser óbvio para quem realiza cirurgias rotineiramente é algo conflituoso para um profissional acostumado com procedimentos restauradores, onde o “espelhinho” é seu melhor amigo.

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Então, o que é um planejamento cirúrgico?

O planejamento cirúrgico começa dias antes do procedimento, muitas vezes com uma tarefa simples, mas essencial: o controle de estoque. Realizar uma cirurgia envolve diversos fatores, alguns sob nosso controle e outros não. Minimizando as eventualidades nos aspectos que podemos controlar, garantimos um procedimento mais seguro.

Entre os fatores que não podemos controlar está o estado emocional do paciente no dia anterior à cirurgia, que pode envolver traumas do passado, estresse familiar ou profissional. Isso pode afetar o humor do paciente e prejudicar sua relação com o procedimento. Nesse caso, o papel do profissional é conversar, acalmar, transmitir segurança e realizar o procedimento. Mas lembre-se: não tratar também é um tratamento. Às vezes, a melhor atitude é perceber que o paciente não está apto para a cirurgia e adiar o procedimento, o que resolve muitos problemas no trans e pós-operatório.

Quais são os Tempos Cirúrgicos na Odontologia?

Falando agora sobre o que podemos controlar, temos o estoque de insumos. A regra básica que aprendemos na faculdade é: “quem tem dois, tem um; quem tem um, não tem nenhum”. Para as cirurgias, devemos sempre considerar a necessidade de mais de um item, como tubetes, fios e lâminas sobressalentes. Então, faça um controle semanal do seu estoque e esteja sempre atento ao quanto foi gasto em cada cirurgia. Isso é o que chamo de tempo operatório pré-cirúrgico.

A fase pré-cirúrgica começa com o controle de estoque e segue com a consulta inicial ao paciente, com uma anamnese cuidadosa. Durante essa consulta, é importante explorar sutilmente o histórico de procedimentos anteriores e até mesmo a saúde odontológica do paciente, evitando surpresas durante o atendimento. Após a consulta, vem a análise de exames de imagem e ambulatoriais, seguidas do planejamento detalhado da cirurgia. Quando você visualiza as etapas na sua mente, a execução do procedimento se torna mais tranquila.

Agora, vamos falar sobre a cirurgia propriamente dita, o tempo cirúrgico e suas etapas:

  1. Diérese: manipulação tecidual, anestesia e incisões.
  2. Exérese: remoção do tecido alvo da cirurgia (seja um dente, cisto, etc.).
  3. Hemostasia: controle do sangramento. (Prefiro manter esta ordem, pois algumas hemorragias precisam que os tecidos estejam ainda afastados para o controle adequado do sangramento.)
  4. Síntese: a sutura e união dos bordos da lesão.

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Qual a importância de controlar o Tempo Cirúrgico?

Controlar cada etapa é fundamental. A prática leva à velocidade, mas o domínio das variações técnicas é o que realmente faz a diferença. Eu acredito que a anestesia seja a parte mais importante da percepção do paciente, pois, quando falamos de cirurgia, os colegas discutem as técnicas de sutura, tipos de fio e outros detalhes, mas o paciente geralmente se pergunta: “Dói muito?”. E é nesse momento que você ganha ou perde o paciente. Uma boa anestesia não só proporciona controle de sangramento como também torna o trans-cirúrgico mais confortável para o paciente e para a equipe. Invista tempo em estudar técnicas anestésicas. Aqui, recomendo o livro “Manual de Anestesia Local”, de Stanley Malamed, para aumentar sua segurança e controle.

O tempo cirúrgico trans-operatório (etapas 2 e 3) depende de prática e conhecimento. Conhecer as técnicas e suas variações é essencial, mas também é crucial saber quando aplicar cada uma delas, e isso só se consegue com a prática constante.

Por fim, a fase pós-operatória não pode ser negligenciada. Em tempos atuais, onde o paciente está constantemente bombardeado por informações, é essencial manter o contato nas primeiras 24 a 48 horas. A equipe deve se certificar da ausência de dor e garantir que o paciente esteja usando corretamente a medicação.

A cirurgia do dentista é diferente da cirurgia do paciente

Agora, vamos falar sobre o tempo cirúrgico do paciente, que é, na minha opinião, o aspecto mais importante para o dentista. O consultório depende de novos pacientes e, apesar das mídias sociais e empresas especializadas em atrair clientes, nada supera a boa e velha recomendação boca a boca. Isso depende da percepção do paciente sobre sua experiência.

Lembro-me de alguns colegas da faculdade que eram extremamente habilidosos, mas tinham dificuldade de se comunicar com os pacientes, o que prejudicava a confiança deles. O resultado? O paciente chegava receoso, tinha uma experiência desagradável e acabava procurando outro profissional. A experiência do paciente, tanto em termos técnicos quanto emocionais, é fundamental para o sucesso da clínica.

Esse tempo cirúrgico do paciente é muitas vezes ignorado, mas em tempos de pandemia, em que aprendemos a importância da empatia, esse tempo é crucial. Quando nos deparamos com um paciente, devemos nos lembrar de que, atrás do sorriso, podem existir traumas e medos. Em vez de nos concentrarmos apenas na técnica, devemos ser conscientes da experiência emocional que estamos proporcionando.

TIC-TAC, o som do relógio na parede

Quem nunca esteve em um consultório médico ou odontológico e ouviu aquele silêncio fatal, em que o som do relógio parecia ecoar na sala? Durante a cirurgia, não temos o som do motor da caneta para distrair o paciente. Então, como aprimorar a experiência do paciente? Vamos falar sobre os tempos de atendimento cirúrgico.

Quando o paciente chega para a cirurgia, lembre-se: para você é algo cotidiano, mas para ele é uma experiência desconhecida. O paciente pode ter pesquisado no Google, ouvido histórias assustadoras sobre hemorragias e inchaços, ou até mesmo tido relatos sobre a dificuldade de comer após a cirurgia. Por isso, o primeiro passo é quebrar o clima. Cumprimente-o calorosamente, pergunte sobre o trajeto até o consultório e tranquilize-o, verificando se ele está nervoso ou tenso. Este simples gesto pode diminuir a ansiedade e a pressão arterial do paciente, criando um ambiente mais relaxante.

Eu gosto de ter a Alexa na sala de atendimento e deixo o paciente escolher a música que ele prefere, criando uma atmosfera mais tranquila. Ao fazer isso, você ajuda o paciente a relaxar e esquecer que está ali para uma cirurgia.

Conclusão

 A teoria clínica adquirimos na faculdade, mas a prática vem com o tempo de atendimento, horas de mocho e erros que fazem parte do aprendizado. Não mencionei o tempo cirúrgico dos erros, mas é importante aceitá-los rapidamente, resolver a situação e nunca deixar o paciente desamparado.

O paciente é seu maior aliado para o sucesso profissional. Para estar entre os melhores, você deve se dedicar. Não deixe que o medo ou a insegurança o impeçam de alcançar seus objetivos. Leve o tempo que for necessário, mas seja sempre sua melhor versão.

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Homem de social trabalhando em seu computador.
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Dentista há mais de 10 anos, cuidar de sorrisos está no meu sangue, filho e neto de dentistas, já transformei milhares de sorrisos. Mais que cuidar de sorrisos meu objetivo é cuidar de pessoas, da forma mais simples e direta possível, sempre respeitando os desejos de cada um sem inventar moda, odontologia séria e ética.

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